30 junho 2009

07 maio 2008

Na vida moderna falha-nos a poesia. Com sorte, ou bons governos, compensam-nos com bons sistemas de saúde públicos. Do lado de lá da vida. Nos hospitais, és outra coisa qualquer. Um ser humano? Sim, mas não. És valores de tensão, graus, sangue. És arrastadeiras, vómito, hemorragias, uma possibilidade de qualquer coisa. Num bom sistema de saúde bastam-te duas consultas, e em menos de dois meses operam-te. És uma pessoa, riem-se de ti, contigo, mesmo que não haja uma língua comum.

Na vida moderna sobra-nos a prosa. Com azar, ou maus governos, amaldiçoam-nos com maus sistemas de saúde. Do ladode cá da vida. Nos hospitais, não és. Humano? Não, cores. Amarelo, laranja, vermelho. Um número. Uma data, daqui a três meses. Para o diagnóstico. Urgente? Urgente é morrer, tiros, facadas, acidentes de viação, ossos partidos, traumatismos.
Num mau sistema de saúde, dizem que só te tratam se estiveres para morrer.

06 maio 2008

Agricultora, no Afeganistão - alguém conhece?


O Blogger arranjou-me uma nova ocupação e uma nova morada: agricultura no Afeganistão.
Porque não? O meu objectivo de vida para os próximos dois anos, leia-se até aos meus 30, é viajar pelos cinco continentes, fazer o que quiser, viver daquela maneira que toda a gente e o bom senso (incluindo o meu) apelidam de louca e sem futuro.

Deixo os meus livros, os únicos bebés depois da morte do Linus, com vári@s babysitters, e vou, com a gaja, por aí, como se não houvesse amanhã. Começando, como aconselha o primeiro livro de viagens prolongadas que li, por um ambiente similar a este, e viajando, viajando, viajando mais longe na diferença. Não começar pelo mais distante, pelo confronto directo, que é mais fácil rejeitar em bloco. Progredir no caminho da diferença para a incorporar, aprender com ela, integrá-la em nós. Tatuar a viagem na identidade própria.

Sim, um dia será o Afeganistão. Profeta Blogger!

17 outubro 2007

Dúvida existencial

O jogo começa.
Tens de pôr cartas em cima da mesa.
Quais guardas para o fim?

16 outubro 2007

Untitled 305, Cindy Sherman, 1994

09 outubro 2007

o tempo que temos é o tempo que roubamos

08 outubro 2007

Caça

Dou o pescoço a morder. Mordem-mo. O sangue sai, mas a febre não. A lua cheia reclama-me, atiça-me o faro, cheiro a carne no infinito da noite. Mas não ataco. Dou, em vez disso, o pescoço a morder.

07 outubro 2007

12 setembro 2007

Urban art


Numa scooter em Paris

06 setembro 2007

dancing queen

- e para mim, por mais que tente imaginar uma miúda a dançar, pá, não dá. para mim, a dancing queen é sempre um ele na minha cabeça, sempre, sempre, um miúdo de dezasseis a descobrir-se paneleiro, a euforia, o momento entre o paraíso e o inferno.

- entre o paraíso e o inferno?

- sim, a euforia da descoberta, a vertigem, a aventura, o mundo todo a abrir-se de repente. isso é o paraíso. o inferno são os outros, quando os outros descobrem, e subitamente a luz torna-se escuridão, a melodia silêncio, cala-se a música, começam os insultos. a dancing queen é esse tempo que medeia.

21 junho 2007

tenho um pavor de morte de certas palavras. mas uso-as mesmo assim.

19 junho 2007

suspende do tempo a respiração, mantém os olhos abertos enquanto mergulhas em direcção ao abismo. a derrota do medo é o prémio para quem ousa a queda, a morte, o dano permamente, as cicatrizes.
vem
vem devagar
fingir que é possível
que o amor é possível

07 junho 2007

Máscara

Recorto pedaços. Pedaços de muitas pessoas. Depois colo esses pedaços ao meu rosto. Quase ninguém distingue da pele o papel.

27 maio 2007

"Real Men"

Take your mind back - I don't know when
Sometime when it always seemed
To be just us and them
Girls that wore pink
And boys that wore blue
Boys that always grew up better men
Than me and you
What's a man now - what's a man mean
Is he rough or is he rugged
Is he cultural and clean
Now it's all change - it's got to change more
'Cause we think it's getting better
But nobody's really sure
And so it goes - go round again
But now and then we wonder who the real men are
See the nice boys - dancing in pairs
Golden earring golden tan
Blow-wave in the hair
Sure they're all straight - straight as a line
All the gays are macho
Can't you see their leather shine
You don't want to sound dumb - don't want to offend
So don't call me a faggot
Not unless you are a friend
Then if you're tall and handsome and strong
You can wear the uniform and
I could play along
And so it goes - go round again
But now and then we wonder who the real men are
Time to get scared - time to change plan
Don't know how to treat a lady
Don't know how to be a man

Time to admit - what you call defeat
'Cause there's women running past you now
And you just drag your feet
Man makes a gun - man goes to war
Man can kill and man can drink
And man can take a whore
Kill all the blacks - kill all the reds
And if there's war between the sexes
Then there'll be no people left
And so it goes - go round again
But now and then we wonder who the real men are

Tori Amos

these boots were made for walking


je t'aime moi non plus