Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
W.H. Auden
- para a minha avó, que aturou as minhas birras em criança, e soube aceitar sem perguntar.
11 maio 2006
02 maio 2006
01 maio 2006
26 abril 2006
22 abril 2006
língua
Deveríamos inquietarmo-nos quando deixamos de beijar com língua, quando só a técnica dos lábios satisfaz. Esse é que é o primeiro momento de ruptura do desejo.
Deveríamos abstermo-nos do toque quando o toque deixa de ser aniquilador.
Deveríamos abstermo-nos de tudo o que se tornou banal, redescobrir o cunho mágico de cada momento.
Deveríamos não só não ter rotinas, buscar absolutamente o conhecimento, dentro e fora de nós.
Sobretudo beijar com língua todos os dias.
Deveríamos abstermo-nos do toque quando o toque deixa de ser aniquilador.
Deveríamos abstermo-nos de tudo o que se tornou banal, redescobrir o cunho mágico de cada momento.
Deveríamos não só não ter rotinas, buscar absolutamente o conhecimento, dentro e fora de nós.
Sobretudo beijar com língua todos os dias.
20 abril 2006
19 abril 2006
but not for me
"They’re writing songs of love - but not for me
A lucky star’s above - but not for me
With love to lead the way I’ve found more clouds of gray
Than any russian play - could guarantee
I was a fool to fall - and get that way
Hi ho alas and also lackaday
Although I can’t dismiss
The memory of her kiss
I guess she’s not for me
I was a fool to fall - and get that way
Hi ho alas and also lackaday
Although I can’t dismiss
The memory of her kiss
I guess she’s not for me"
(na versão de Chet Baker, claro)
A lucky star’s above - but not for me
With love to lead the way I’ve found more clouds of gray
Than any russian play - could guarantee
I was a fool to fall - and get that way
Hi ho alas and also lackaday
Although I can’t dismiss
The memory of her kiss
I guess she’s not for me
I was a fool to fall - and get that way
Hi ho alas and also lackaday
Although I can’t dismiss
The memory of her kiss
I guess she’s not for me"
(na versão de Chet Baker, claro)
10 abril 2006
09 abril 2006
As Horas
"Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as possibilidades e expectativas, abrir-se de repende e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais."
Michael Cunningham, The Hours
31 março 2006
untitled #2
- Estou a apaixonar-me de ti.
- Não te podes apaixonar por mim.
- De ti.
- Por mim.
- Porquê?
- Não sabes quem sou. Não me conheces. Só me ouves. Só me lês. Eu represento. Eu actuo. Para ti. Eu minto. Invento palavras que não são minhas e faço frases. Tu ouves essas frases. Mas eu não sou essas frases.
- És o espaço em branco entre essas frases. És o silêncio entre as palavras.
(pausa)
- Estou a apaixonar-me de ti.
- Não te podes apaixonar de mim.
- Apaixono-me pelas tuas imagens, preenchidas e em branco.
Por exemplo este diálogo. Este diálogo só existe na minha cabeça. É só na minha cabeça que dizes que não me posso apaixonar de ti. Não faz diferença. Sendo eu ou tu a dizer que não me posso apaixonar de ti é igual. Apaixono-me e pronto.
Um “não” só conta na acção, nunca no desejo. O desejo desafia todas as regras, a acção não. O desejo é livre, a acção compromete-se com o que lhe é exterior.
Por isso posso desejar-te toda, a tua raiva, o teu medo, a tua angústia, o teu ódio, a tua ternura, as tuas fragilidades, que me acaricies, que me magoes, que me ames, que me batas, que durmas comigo, que me desprezes, me pises, me veneres, me ignores, me expulses da tua vida. Posso desejar tudo. Posso desejar-te toda.
Porém dentre todas estas possibilidades que encerras em ti, apenas algumas se abrirão para mim.
- Pára.
- Páro.
- Não sabes o que dizes. Não sabes o que queres. Não sabes quem sou. Não te podes apaixonar por mim.
- De ti. Apaixono-me daquilo é teu e permanece em mim. Não és tu. São partes de ti.
(pausa)
- São partes de ti que me fazem querer-te toda.
- Pára.
- Não posso.
Setembro 05
- Não te podes apaixonar por mim.
- De ti.
- Por mim.
- Porquê?
- Não sabes quem sou. Não me conheces. Só me ouves. Só me lês. Eu represento. Eu actuo. Para ti. Eu minto. Invento palavras que não são minhas e faço frases. Tu ouves essas frases. Mas eu não sou essas frases.
- És o espaço em branco entre essas frases. És o silêncio entre as palavras.
(pausa)
- Estou a apaixonar-me de ti.
- Não te podes apaixonar de mim.
- Apaixono-me pelas tuas imagens, preenchidas e em branco.
Por exemplo este diálogo. Este diálogo só existe na minha cabeça. É só na minha cabeça que dizes que não me posso apaixonar de ti. Não faz diferença. Sendo eu ou tu a dizer que não me posso apaixonar de ti é igual. Apaixono-me e pronto.
Um “não” só conta na acção, nunca no desejo. O desejo desafia todas as regras, a acção não. O desejo é livre, a acção compromete-se com o que lhe é exterior.
Por isso posso desejar-te toda, a tua raiva, o teu medo, a tua angústia, o teu ódio, a tua ternura, as tuas fragilidades, que me acaricies, que me magoes, que me ames, que me batas, que durmas comigo, que me desprezes, me pises, me veneres, me ignores, me expulses da tua vida. Posso desejar tudo. Posso desejar-te toda.
Porém dentre todas estas possibilidades que encerras em ti, apenas algumas se abrirão para mim.
- Pára.
- Páro.
- Não sabes o que dizes. Não sabes o que queres. Não sabes quem sou. Não te podes apaixonar por mim.
- De ti. Apaixono-me daquilo é teu e permanece em mim. Não és tu. São partes de ti.
(pausa)
- São partes de ti que me fazem querer-te toda.
- Pára.
- Não posso.
Setembro 05
Stand Inside Your Love
"You and me
Meant to be
Immutable
Impossible
It's destiny
Pure lunacy
Incalculable
Insufferable
But for the last time
You're everything that I want and ask for
You're all that I'd dreamed
Who wouldn't be the one you love
Who wouldn't stand inside your love
Protected and the lover of
A pure soul and beautiful you
Don't understand
Don't feel me now
I will breathe
For the both of us
Travel the world
Traverse the skies
Your home is here
Within my heart
And for the first time
I feel as though I am reborn
In my mind
Recast as child and mystic sage
Who wouldn't be the one you love
Who wouldn't stand inside your love
And for the first time
I'm telling you how much I need and bleed for
Your every move and waking sound
In my time
I'll wrap my wire around your heart and your mind
You're mine forever now
Who wouldn't be the one you love and live for
Who wouldn't stand inside your love and die for
Who wouldn't be the one you love"
Meant to be
Immutable
Impossible
It's destiny
Pure lunacy
Incalculable
Insufferable
But for the last time
You're everything that I want and ask for
You're all that I'd dreamed
Who wouldn't be the one you love
Who wouldn't stand inside your love
Protected and the lover of
A pure soul and beautiful you
Don't understand
Don't feel me now
I will breathe
For the both of us
Travel the world
Traverse the skies
Your home is here
Within my heart
And for the first time
I feel as though I am reborn
In my mind
Recast as child and mystic sage
Who wouldn't be the one you love
Who wouldn't stand inside your love
And for the first time
I'm telling you how much I need and bleed for
Your every move and waking sound
In my time
I'll wrap my wire around your heart and your mind
You're mine forever now
Who wouldn't be the one you love and live for
Who wouldn't stand inside your love and die for
Who wouldn't be the one you love"
Smashing Pumpkins
24 março 2006
Pessoas como nós
Pessoas como nós têm amantes. Teorias para tudo. Apaixonam-se. Sede de vida e experiências. Reiventam-se. Perdem tempo. Não cumprem as etapas definidas.
Pessoas como nós sobrevivem. E encontram-se.
para W.
plas tuas palavras e plas tuas mãos, gracias baby...
Pessoas como nós sobrevivem. E encontram-se.
para W.
plas tuas palavras e plas tuas mãos, gracias baby...
14 março 2006
de nós sobraram meia dúzia de fotos de férias, uma pergunta eterna feita pelos pais e amigos, uma colecção incompleta, porque dividida a meio, de cd's de jazz, um cachimbo de água partido numa das inúmeras discussões, e um vazio que insiste em encher-me o peito.
não sei se é muito ou pouco para estes anos todos. sei que é o suficiente para me ir lembrando de ti quando julgava já te ter esquecido.
não sei se é muito ou pouco para estes anos todos. sei que é o suficiente para me ir lembrando de ti quando julgava já te ter esquecido.
22 dezembro 2005
mudamos como as marés. mudamos porque algo não nos satisfaz. mudamos porque chegamos a uma altura em que é preciso mudar.às vezes mudamos muito em pouco tempo. outras pouco em muito tempo. outras ainda mudamos sem dar por isso, esquecemos o quando e o quanto. um dia apercebemo-nos que mudámos, sem que possamos precisar onde começou.
depois de mudarmos, esquecemos, ou começamos a esquecer que fomos alguma coisa antes por alguma razão. mas algumas mudanças depois, perdemos a ideia da sequência. parece que fomos sempre assim.
há momentos em que sabemos que vamos mudar. há acontecimentos que sabemos que nos irão mudar.
talvez não nos mudem de todo. talvez só nos permitam descobrir o que tinhamos dentro de nós à espera.
depois de mudarmos, esquecemos, ou começamos a esquecer que fomos alguma coisa antes por alguma razão. mas algumas mudanças depois, perdemos a ideia da sequência. parece que fomos sempre assim.
há momentos em que sabemos que vamos mudar. há acontecimentos que sabemos que nos irão mudar.
talvez não nos mudem de todo. talvez só nos permitam descobrir o que tinhamos dentro de nós à espera.
22 setembro 2005
as palavras do costume
uma nota mais. silêncio. pausa. recomeças. a tua voz martela os caminhos conhecidos do meu cérebro, convoca os neurónios do costume. as palavras que repetes já não fazem sentido. são só som sem significado, e tu um peixe fora de água, a abrir e fechar a boca. as tuas palavras já nem me fazem chorar. resta este vago incómodo que se sente quando não se sente nada, mas se sabe que se devia sentir alguma coisa.
posso adivinhar a cadência das tuas palavras, os saltos no discurso. sei que daqui a dois, três minutos vais começar a chorar, depois irás dizer que já não te amo, depois que a tua mãe tinha razão em relação a mim, que não passo de um saco de escumalha que colecciona mulheres como se fossem selos de países visitados no passaporte.
houve uma altura em que as tuas palavras me feriam. houve uma altura em que te amei e as tuas palavras feriam-me. agora repetiste-as tantas vezes que já não as ouço. nem sei sequer se te amo. ainda.
12 setembro 2005
untitled #1
desisti da minha humanidade
deixei as dúvidas de lado
atirei-me à vida num mergulho na piscina que se sabe ser pouco funda
raspei com o queixo nos azulejos do fundo
e enchi os pulmões de água salgada
desisti principalmente dos entendimentos
tácitos
ou expressos
de mãos vazias encontrei-me
numa livraria qualquer com os clássicos
da literatura inglesa
pré-vitorianos vitorianos e pós-vitorianos
apenas para concluir que gosto de sexo
o cheiro abandonado de outro corpo no meu
memórias de saliva e suor
o fatal reconhecimento que o amor começa no final de uma noite de sexo quando se deixa essa marca alheia de saliva suor e demais fluidos impressa no corpo
o fatal reconhecimento que o amor começa a acabar quando se toma um duche a seguir ao sexo
torturo-me devagar passeando por palavras que conheço
deixo-as pousar
ácido a corroer as entranhas da memória
deixo-as ficar
se tivesse nascido no início do século passado
teria passeado por bloomsbury
e escrito odes ao sémen ao tédio às máquinas às mulheres
em rimas livres mas com sentido de ritmo
como nasci no final do século passado
vejo a vh1 e não escrevo odes
não sei dançar não tenho sentido de ritmo não sei escrever poesia não conheço o sabor do sémen nem a agitação do tédio nem a sacralidade das máquinas nem tão-pouco finjo amar as mulheres
mas posso dar-me ao luxo de ousar porque todas as regras foram já quebradas
o fatal reconhecimento que o amor acabou
desisti da moral da ética da bondade natural
num mundo cão há que ser cadela
de preferência fácil
e aproveitar as flores pelo caminho
a ética é um sapo num bolso
os meus bolsos são pequenos
só o tamanho suficiente para um par de luvas lubrificante preservativos
o desejo trago-o no corpo
arrumo-o e desarrumo-o a jeito
à espera das palavras certas
ponto final.
deixei as dúvidas de lado
atirei-me à vida num mergulho na piscina que se sabe ser pouco funda
raspei com o queixo nos azulejos do fundo
e enchi os pulmões de água salgada
desisti principalmente dos entendimentos
tácitos
ou expressos
de mãos vazias encontrei-me
numa livraria qualquer com os clássicos
da literatura inglesa
pré-vitorianos vitorianos e pós-vitorianos
apenas para concluir que gosto de sexo
o cheiro abandonado de outro corpo no meu
memórias de saliva e suor
o fatal reconhecimento que o amor começa no final de uma noite de sexo quando se deixa essa marca alheia de saliva suor e demais fluidos impressa no corpo
o fatal reconhecimento que o amor começa a acabar quando se toma um duche a seguir ao sexo
torturo-me devagar passeando por palavras que conheço
deixo-as pousar
ácido a corroer as entranhas da memória
deixo-as ficar
se tivesse nascido no início do século passado
teria passeado por bloomsbury
e escrito odes ao sémen ao tédio às máquinas às mulheres
em rimas livres mas com sentido de ritmo
como nasci no final do século passado
vejo a vh1 e não escrevo odes
não sei dançar não tenho sentido de ritmo não sei escrever poesia não conheço o sabor do sémen nem a agitação do tédio nem a sacralidade das máquinas nem tão-pouco finjo amar as mulheres
mas posso dar-me ao luxo de ousar porque todas as regras foram já quebradas
o fatal reconhecimento que o amor acabou
desisti da moral da ética da bondade natural
num mundo cão há que ser cadela
de preferência fácil
e aproveitar as flores pelo caminho
a ética é um sapo num bolso
os meus bolsos são pequenos
só o tamanho suficiente para um par de luvas lubrificante preservativos
o desejo trago-o no corpo
arrumo-o e desarrumo-o a jeito
à espera das palavras certas
ponto final.
07 setembro 2005
esperanças (palimpsesto/ plágio a partir de pessoa)
não espero nada
esperando, não espero nada
não posso sequer conceber esperar algo
exceptuando as esperanças que se esperam aos 25
esperando, não espero nada
não posso sequer conceber esperar algo
exceptuando as esperanças que se esperam aos 25
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